Botequim ordinário, onde se vendia o café a dez reis cada xícara.

24
Set 10

Coroai-me de rosas,

Coroai-me em verdade

De rosas -

Rosas que se apagam

Em fronte a apagar-se

Tão cedo!

Coroai-me de rosas

E de folhas breves,

E basta!

publicado por Café de Lepes às 18:28

Engolir quilómetros era a sua tarefa e assim sucedia.  A tarde estava demasiado quente, mas dentro do autocarro o ar condicionado funcionava em pleno e a temperatura, de tão agradável, conduzia os poucos passageiros a uma quietude extrema. Muitos, mesmo, dormitariam. O único som era o do motor que nos puxava. De súbito a modorra de um dia quente de verão foi cortada por uma voz de mulher (nova, velha, de meia idade? - ninguém se moveu para descobrir) que falava ao telemóvel. Durante alguns minutos foi possível ouvir aquela voz num registo tão elevado que, de certo, se ouviria por todo o autocarro, e entender a outra parte do diálogo, imaginando as palavras que não se ouviam. Tratava-se de uma história de amores e, percebeu-se, agora de desamores. A nossa companheira de viagem, pelo que ia referindo, tinha sido a vítima, a sacrificada, quem tinha dado tudo para que aquele amor (ou união) não findasse. Entendeu-se que não havia volta a dar. Aquele amor, o tom de voz era claro, tinha acabado. Álvaro - ouviu-se em tom doloroso. E o autocarro entrou, de novo, no silêncio absoluto.

publicado por Café de Lepes às 18:04

Setembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15

22
23
25

26
27
28
29


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

GERÊNCIA
Carlos Canas * David Pires * Julião Mora * Marco Almeida* Mário Aleixo * Tiago Paisana * Tomás Salavisa
blogs SAPO